Em cada palavra que me sai, mil entram. Em cada pensamento que se esgota, mil e um desaparecem. Em cada sentimento que surge, mil e dois fazem-me sorrir de nostalgia.
Não encontro adjectivos, provérbios, substantivos, análises adverbiais ou cábulas de profetas que me façam acreditar que os sentimentos que me passam pelo coração sejam derivados de palavras bonitas que alguém plantou no dicionário. Sejam eles feitos de pronomes sujeitos a abecedários mal desenhados ou a palestras de senhores com grandes nomes. Sentimentos vivem-se na paz de um quarto de tons brancos, de fumos que seguem o seu caminho, de melodias acústicas, de bolachas de chocolate e bolhas de sabão.
Somos mil milhões a sonhar com um coração cheio de sentimentos impossíveis… não existem bons amantes, príncipes de circo, trapezistas em palácios ou barbies em caixotes. Somos sentimentalistas forçados que não podem demonstrar o que sentem, por debaixo de uma camada de pele, existe um rio de veias que sonham em trespassar a barreira da afecção.

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