Criei um livro de recortes, onde a mensagem principal era escrever-te e desenhar-te à medida dos meus olhos. O tempo passou, o livro ficou cheio de pó e quando me apercebi que ainda não era tarde demais para o retirar da gaveta, fi-lo com convicção e amor àquilo que tu és. Passei a imaginar-me mentalmente sentada numa toalha de praia, com um cigarro na mão e a caneta na outra enquanto o barulho do mar me ia envolvendo os ouvidos, dissipando sons alheios e distúrbios desnecessários. Passei a escrever com o coração deixando os burburinhos do cérebro de lado. Enquanto me ia envolvendo na montanha de palavras que começava a ser o meu livro de recortes apercebi-me que jamais te iria poder mostrar aquilo que tu significavas para mim. Testaste o meu coração, desafiaste a minha alma e deixaste os restos imundos para que eu me limpasse daquilo que tu tinhas sido responsável. Na altura não me importei, pensei que fosse apenas mais uma das tuas brincadeiras próprias da idade, mas quando a alma se deparou com a realidade o jogo passou a ser diferente daquele que até então tínhamos jogado. Na minha primeira tentativa de te mostrar aquilo que eu via, duvidaste que fosse para ti, tentei ser racional e ouvir aquilo que dizias, mas nada me fazia sentido. Retrai-me com medo de mais reprovações e assim voltei a guardar novamente aquilo que me unia a ti.
terça-feira, 27 de julho de 2010
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