sexta-feira, 4 de junho de 2010

please. run away, i'm awful.

aqui, sentada, a olhar o nada, existe um vazio que me puxa para fora, que expulsa deslocações forçadas e que me arremessa para sítios que não conheço. são seres gigantes que me atacam a alma, que me pedem alojamento e que se riem daquilo que eu não consigo dizer. estou sozinha nesta luta contra mim. a minha cabeça gira enquanto o meu corpo se mantém intacto com os pés colados ao chão. não me sinto eu, sinto-me a abandonar o corpo que sempre suportei e a entrar numa barreira que não quero quebrar. quero fechar os olhos, andar para longe, espantar os maus pensamentos e dar um tiro naquilo que me atormenta. enquanto me estendo num chão que não conheço, frio, com cheiro a sangue seco e que me dá a sensação de ser uma caverna, ouço sons malignos que torturam o ser genuíno de quem passe por aqui... sinto-me sozinha, mas será que algum dia estive realmente protegida pela companhia de outrem?
continuo neste rodopio de pensamentos delinquentes e desenterro emoções guardadas na caixa de pandora, são deliciosamente maléficas ao coração de quem as ouve, são iradas e de repente, vindo sei-lá-de-onde, vindo sei-lá-como, o cheiro de um perfume conhecido leva-me daqui para fora. e quem sou eu agora? um ser sem coração, frio, gélido e que repugna sentimentos. descubro-me bipolar num sonho, bipolar longe daqui, bipolar dentro de mim. sou louca por natureza, livre de espírito e estou surpresa por ter retirado de dentro de mim o melhor que existia.
quem sou eu agora?

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sem meio termo definido e de asas abertas.